Tuesday, 7 November 2017

Sobre um fotógrafo holandês



Gert Jan Hermus por João Menéres.

Site do fotógrafo: https://gertjanhermus.nl/

Fotografia de Rua por Gert Jan Hermus




The girl is back in town


O sol vai alto e morno no céu, nestas manhãs mais luminosas que se desvanecem em tardes cinzentas e frias, e que abrigo já, em meias opacas e nos casacos compridos favoritos de sempre. O corpo tem andado sonolento, mole, naquela fase em que me sinto como um urso a querer hibernação. Às vezes, as pálpebras quase fecham sobre os livros de holandês (voltei aos estudos, desta vez na Volksuniversiteit). Arrebito mais, quando chega a minha vez de ler em voz alta, no Clube de Leitura, pois gosto de dar vida às personagens. Mas nada de preocupações: o corpo está bem e recomenda-se. Isto é mesmo só do tempo. No Fitness, aumentámos as intensidades e o número de máquinas. E o Yoga continua a deixar-me nas nuvens. Desde o dia 19 de Outubro, que não tenho uma única dor ou moinha. A médica, no passado dia 2, ficou satisfeitíssima com os resultados do exame e até me mostrou os gráficos. Agora era aproveitar, pois já não iria necessitar de nova cirurgia, como receávamos. Ao ver o seu entusiasmo, disse--lhe que tinha ido dançar temas dos anos 70 e 80, ao meu café preferido da cidade, e que tinha corrido tudo bem (zero dores na zona onde o dreno esteve localizado tantas longas semanas). E acrescentei que tinha andado a comprar saias. Porque já as posso vestir. E um par de sapatos para um casamento a que vamos em breve. Entretanto, dias depois da consulta, um convite para almoçar na estação central de Utreque, agora totalmente remodelada e com uma loja da marca portuguesa Parfois. Bem giro, o novo centro comercial. Ainda hei-de voltar esta semana com uma amiga, com quem é um prazer estar e me rio muito. E acolhe os meus choros, quando necessário também. Ando numa fase de libertação do que vivi ao longo dos últimos 12 meses e de vez em quando choro, ao lembrar-me de algum momento em particular. No worries, pois quando assim acontece, sinto-me melhor, mais aliviada. O corpo quer agora um espacinho e um tempo para se libertar das tensões acumuladas, é só. Mas cedo recupera e pede boa disposição. Há dias, até bebi umas quantas caipirinhas e margaritas. Foi no meu café preferido, no espaço de uma semana, em duas ocasiões distintas. É isso, meus amigos: The girl is back in town. Apesar da vontade de hibernação. ;-)


Uma das músicas que mais prazer me deu dançar...



Votos de boa semana!

Monday, 16 October 2017

Nederlanders in Parijs



Nederlanders in Parijs no Museu Van Gogh, em Amesterdão.


Fomos ver esta exposição, na sua data de abertura, na passada sexta-feira, à noite, dia 13.

Uma noite de sorte, pois gostámos muito da exposição, que aconselhamos vivamente a quem tenha oportunidade de visitá-la (grátis com o cartão dos museus).

Está patente ao público até dia 7 de Janeiro de 2018, num renovado Museu Van Gogh (ainda não tinhamos lá estado após a remodelação).

Nesta exposição, podemos apreciar obras de Van Spaendonck (conhecido pelas suas naturezas-mortas), Jongkind (conhecido pelas suas pinturas marítimas e um dos percursores do Impressionismo), Van Gogh (pintor pós-impressionista), Van Dongen (conhecido como um dos representantes do Fauvismo) e Mondriaan (um pioneiro em Arte Abstracta), entre outros pintores neerlandeses, de diferentes épocas e movimentos artísticos, que viveram em Paris, durante largos anos, entre o final do século XVIII e o início do século XX.

Clicando aqui, podem visualizer alguns dos quadros desta exposição.

Geniet ervan! Enjoy!



PS: A complementar esta exposição, uma outra que queremos visitar, desta vez em Haia, intitulada The Dutch in Barbizon, que irá abrir ao público, no próximo dia 27, no Panorama Mesdag (que fica próximo da nossa embaixada).

NB:O jantar, no museu, foi acompanhado de música francesa. Muito agradável!




Sunday, 8 October 2017

Seja


Vá lá saber-se porquê, esta música não me sai da cabeça...
Talvez pela serenidade de espírito com que vim de Portugal, talvez desta moleza domingueira que me colhe, talvez porque tive a sorte de ouvi-la muitas vezes quando era novinha, talvez porque o meu pai viveu no Brasil uma década, talvez porque nunca fui lá e quero, talvez porque me sinta feliz e quero mais é que todos estejam bem...
Seja.

Thursday, 5 October 2017

874 anos! Parabéns, Portugal!


Há dias, estivemos em Portugal. Na nossa primeira noite lisboeta, logo após o jantar, fomos passear ao Chiado. No Largo do Teatro Nacional de São Carlos, tocava a Orquestra Ligeira do Exército. Boa surpresa! Sobretudo, porque um cantor que gostei muito, mas não fixei o nome, interpretou duas canções do Paulo de Carvalho que gosto imenso.

Servem estes apontamentos musicais para celebrar os 874 anos de Portugal. E nada melhor que através das Artes, onde nos destacamos tão bem, como a Música e a Poesia.

Bom, eu adoro a voz do Paulo de Carvalho e estas canções. Por isso, escusado será dizer que "cantei" estes temas a meu belo prazer, com um sorriso de orelha a orelha. Gostei mesmo muito do início destas nossas mini-férias em Portugal. Gosto imenso dos nossos músicos e dos nossos poetas.

PS: Uma das razões que me levou a optar por ir tomar os pequenos-almoços à Padaria Portuguesa foi exactamente essa, a Música: ele era "Os Putos" do Carlos do Carmo, ele era Jorge Palma, ele era António Variações, and so on...E eu no céu, logo pela manhã!

Esta, para mim, é uma delícia e uma ternura...




E esta, por ter sido um dos sinais para a Revolução de Abril, é, também, por isso, muito especial.
(Já disse que gosto imenso desta música, e da letra (do José Niza) e que amo a voz do Paulo de Carvalho? )






Um dia feliz para todos, pleno de vibrações positivas!




Wednesday, 20 September 2017

Surprise! Surprise!!



Hoje foi a inauguração das lojas de departamento Hudson's Bay em Almere ( no resto dos Países Baixos também). E não é que, inesperadamente, dou de caras com esta marca portuguesa? Fiquei tão contente!!

Monday, 18 September 2017

Katwijk aan Zee


Deste Verão de 2017, foram só 3 dias de Katwijk aan Zee...

Ficam as dunas suaves e o mar azul no olhar, na memória, na pele e no sorriso.

As fotografias foram tiradas por telemóvel.












Wednesday, 13 September 2017

Os céus nublados holandeses


Das nuvens. 
Eu gosto muito das nuvens deste país. 

Do Outono que já se faz sentir. 
Entre o antigo e o contemporâneo.




Amesterdão, 3 de Setembro de 2017








Almere, 09 de Setembro de 2017






NB: Fotografias tiradas com telemóvel.


Monday, 4 September 2017

Em Leiden



No dia do aniversário do meu marido, fomos até Leiden, uma cidade que aprendi a conhecer pelas mãos da Agnes (através das sugestões que ela aqui deixou no blogue) A Agnes é uma compatriota nossa a viver em Oxford e cujo blogue recomendo muitíssimo (boa escrita, lindas fotografias, itinerários interessantes e observações úteis).


Leiden, que fica próxima de Haia, é, actualmente, uma das minhas cidades holandesas preferidas. Gosto dos bares de jazz e dos muros de poesia, onde também figuram poetas de Língua Portuguesa. E das galerias de Arte, inovadoras, onde encontramos também joalharia, bijuteria e acessórios de materiais variados, feitos à mãoUma cidade cheia de vida, com muitas esplanadas junto aos canais. E que, de certa forma, devido à presença dos estudantes da sua famosa Universidade, fundada em 1575, por William de Orange (o princípe que liderou a revolta contra o domínio espanhol (Habsburgos) nos Países Baixos, no século XVI), me lembra Coimbra. Ou Aveiro, pelos canais e as pontes e, sobretudo, pelo seu carácter acolhedor e luminoso.








O rico património arquitectónico da cidade encontra-se muito bem preservado.




Um dos muros de poesia...



Da Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), num dos muros da cidade. Neste caso, o Artigo 1.




Não deixei de achar curioso que o acaso do passeio a pé nos tivesse levado até este muro, tendo em conta os tempos que vivemos.

E, por isso, porque nunca é demais recordar, deixo-vos com este video.




Votos de boa semana!

NB: As fotografias foram tiradas com telemóvel.

Saturday, 2 September 2017

Voltas por aí ao longo deste ano


Não foram muitas. E todas aqui próximo e de curta duração.


AGOSTO


ALMERE

Junto ao restaurante Gasterij Oostvaarders, na Reserva Natural de Oostvaardersplassen.






JULHO


ROTERDÃO

Junto ao porto, quando fomos ver a  exposição "Genesis" de Sebastião Salgado, ao Nederlands Fotomuseum.





AMESTERDÃO

Churchilllaan (Avenida Churchill), na Rivierenbuurt, que fica próxima 

do Café Nata Lisboa e
 da casa onde a Família de Anne Frank viveu entre 1933 e 1942 .





JUNHO


WEESP

Situada entre Amesterdão e Almere. É um dos meus locais favoritos para dar caminhadas no Verão. Este ano, só fomos uma vez, e no entanto, é aqui tão perto..

Um dos meus restaurantes favoritos, o Weesperplein, fica próximo deste canal. Gostamos muito de jantar no quintal do restaurante, pois é muito acolhedor...






MARÇO


LEIDEN

Junto ao Volkenkundemuseum, as sakuras ou cerejeiras relativas à exposição "Cool Japan".
Desta vez, o passeio foi com uma amiga.
No mês passado, fomos os dois para ver a exposição, mas as sakuras já não estavam assim, claro.
Brevemente, mais fotografias sobre Leiden.





NB: Todas as fotografias foram tiradas com telemóvel.



Bom fim-de-semana!




Thursday, 31 August 2017

Flores e Visitas


E para terminar bem o mês, escolhi flores...

Nos Países Baixos, oferecer e receber flores é prática comum. Se vamos a uma festa de aniversário, visitar um amigo ou jantar a casa dele, levamos flores. Estas foram-me oferecidas já em casa, após o meu primeiro internamento. Não recebi muitas, pois, à época, limitei as visitas, uma vez que estava muito cansada devido à complexidade da cirurgia e aos efeitos da anestesia com que fiquei ainda uns dias (eu precisava mesmo de dormir e descansar). Assim, nunca tive mais do que uma visita de cada vez e em dias intercalados e só daqueles com quem convivo mais. Ninguém estranhou (ou levou a mal) e notei que é algo perfeitamente compreendido e respeitado por aqui. Mas gostei imenso das flores que recebi, claro! Ei-las aqui:


















No Hospital, pedi que não me levassem flores. Em contrapartida, recebi revistas (boa!, embora a energia para ler não fosse muita, a beleza das imagens já ajudava), blocos de notas ( que me deram imenso jeito nas conversas diárias com os médicos e as enfermeiras), uma garrafa de vinho (que abrimos semanas mais tarde para comemorar) e chás e produtos de beleza da Rituals, que só usei semanas depois, mas gostei imenso por me lembrarem que ainda podia ficar bonita, apesar do meu ar cansado e abatido e do cheiro da anestesia que me saia pelos poros.

Entretanto, também recebi cartões a desejar as melhoras, algo muito comum por cá, onde há postais para todas as situações e mais algumas. Depois, mostro. 


Bom fim-de-semana!

Wednesday, 30 August 2017

Da janela do hospital


Às vezes, encontramos a beleza nos locais e momentos mais inesperados.

Da janela do último quarto onde fiquei no hospital, nuvens e gaivotas.

Tive sempre a sorte de ficar junto à janela. Mas, só neste dia, fotografei.





Esta gaivota visitava-me muitas vezes ao longo do dia. Não sei se a fazer jus às 5 horas diárias permitidas de visita ...;-))




Gosto quando o Universo me envia momentos como estes. Muitas vezes, quando mais preciso.


Monday, 28 August 2017

Gaivotas, Mar, Cães, Tabouleh e Dickens


O sol da manhã, que já ia alto, sussurrava "praia" ao meu ouvido. E eu, que gosto de sussurros, escutei com muita atenção. Foi assim, que, no sábado, logo após o almoço, rumámos à nossa praia holandesa de sempre, Katwijk aan Zee. A areia fina que me lembra ampulhetas, as dunas que nos protegem num abraço, o sossego maior daquele recanto de praia em frente ao restaurante Het Wantveld (se clicarem neste link, podem ver algumas imagens panorâmicas), onde, assim que chego, páro sempre para o espresso, o sumo de laranja natural e o típico croquete de carne holandês. Gosto destes hábitos "de sempre". Sou muito felina nos meus rituais e nos meus amores. Sei onde são as minhas casas e os meus recantos. 

Um dos aspectos que mais aprecio, ao chegar ao Het Wantveld, é o cuidado com os animais. Há sempre taças com água para os cães. Na renovada "ladeira", a caminho da praia, contei mais de uma dúzia de canídeos. Há muitas pessoas com cães por aqui (às vezes, até mais que um), e muitos restaurantes preparados para receber os fiéis amigos. 

Já na praia, estendidos nas nossas toalhas (a minha rosa, a dele azul), gosto do cirandar das gaivotas ao nosso redor e dos vôos rasantes com que nos brindam, aqui e ali. Desta vez, fizeram-me uma surpresa no mar. Ao caminhar pelo ritmo quieto do dia daquelas águas do Mar do Norte,  vi, um pouco mais adiante, duas gaivotas sentadas naquela planície líquida, uma à minha esquerda, outra à minha direita. Fizeram-me sentir uma princesa, à medida que me aproximava. Parecia que o Universo (ou Deus) me dava as boas vindas naquele regresso ao Mar, que, até há bem pouco tempo, durante este Verão, me esteve vedado. Acabei ladeada por elas. Não, não partiram à minha chegada. Muito pelo contrário, quedaram-se por ali. E pareceu-me, que a sorrir.

Ontem, já não fui à água. Fiquei-me pelo areal, a sentir o sol na minha pele e a ler o "Passaporte", desta vez o capítulo sobre as visitas à Inglaterra literária, o mesmo será dizer, à casa de alguns escritores britânicos, como por exemplo, a de Charles Dickens, que gostaria muito, um dia destes, de conhecer.

E se, ontem, no final da tarde, o regresso foi directo a casa, no sábado, ainda parámos em Amesterdão e fomos jantar ao nosso restaurante de sempre. Falo do Bazar, uma antiga sinagoga convertida em restaurante islâmico. Gostamos muito do Bizar Bazar de carne, com ensopado de borrego e tabouleh (uma salada libanesa). E mais uma vez, ali também, havia taças com água para os cães.


Votos de boa semana para todos!


"A visita à casa dos nossos escritores preferidos constitui uma maneira original de se passar férias. Depois de termos lido as obras, todas as suas obras, a deambulação tem qualquer coisa de mágico. É doce olhar a caneta com que ele escreveu, ver a cadeira onde se sentou, observar o que se vislumbra da janela do seu escritório. Escolhi para meu primeiro passeio, a casa de Charles Dickens, em Londres."

Maria Filomena Mónica, in Passaporte, 2009, página 149



Friday, 25 August 2017

Gostar de estar de volta


Gosto do silêncio das manhãs que ecoa pelas ruas do bairro, enquanto caminho em direcção ao ginásio. Gosto de sorrir às macieiras dos vizinhos, já perto do cruzamento. 

Gosto de inspirar e expirar pelo nariz durante a sessão de Yoga. Gosto das almofadas de alfazema que o C. nos empresta para colocar sobre os olhos durante os 15 minutos seguintes de Meditação. Gosto da paz e da serenidade que sinto depois do Yoga. Gosto dos exercícios e do ritmo que a I. escolhe para nós. Gosto do cuidado da I. com os exercícios para melhorar o equilíbrio (tinha-lhe dito das recomendações da minha médica).

Gosto de estar de volta ao Fitness, mas, desta vez, só com exercícios de resistência e não de pesos. A S. tem sido muito atenciosa e já noto mais massa muscular. Muito tempo deitada deixou-me balofa.

Gosto de voltar a experimentar coisas novas. Diverti-me imenso na minha primeira aula de Salsa. Gosto de rir e as minhas colegas também. Quando me perguntaram, antes de iniciar a dança, se era o homem ou a mulher, respondi que não tinha a certeza:"I'm not sure. But don't tell to my husband".  Gostei dos risos seguintes. And so on...Mas já percebi que tenho de diminuir o ritmo.  Vou ter de ir  mais devagar com a Salsa. :-(

Gostei de voltar ao cinema. Há mais de um ano que não ia, pois custava-me estar sentada durante tanto tempo. Gostei quando a Y. me disse que tinha visualizado aquele momento juntas. E para ambas era uma nova sala, uma estreia. Gosto também que tenhamos combinado de nos encontrarmos, junto com os nossos respectivos, no Almere Haven Festival para os concertos de música clássica.

Gostei de voltar à praia. Foi dos regressos que mais me emocionou (foi-me interdito durante 7 semanas pelos médicos, período que coincidiu com o Verão). Gostei de me estender na areia, a ler o "Passaporte", de Maria Filomena Mónica, enviado pela querida MR. Soube tão bem!...

Ainda não fui à água, que estava gelada, mas estava autorizada, se quisesse. Estava tão feliz, que, por segundos, esqueci-me que estava na praia e com crianças ali perto, e fui mais atrevida com o meu marido. Ninguém deu por nada, que fui imediatamente alertada por ele (risos). Enfim, devia ter ido à água, eu sei...;-))

Tenho gostado de voltar a vestir saias, vestidos e calções. E gozar as perninhas ao léu. A parafernália que tinha agregada ao meu corpo não permitia. Como diria o meu vizinho M., numa das nossas conversas de passeio, "Er zijn de kleine dingen", ou seja, são as pequenas coisas que nos fazem mais falta e nos deixam mais felizes, como poder vestir uma simples saia ou um vestido.

Gostei da primeira vez que voltei a Amsterdam, sozinha e com o objectivo de me divertir. Senti-me uma miúda crescida. Já não precisava de companhia e, desta vez, não era para ir ao hospital. Gostei de voltar a sentar-me na minha esplanada favorita de sempre, a do Amsterdam Historisch Museum (hoje chamado Museu da Cidade), a ler o "Passaporte". E ter passado antes, pela igreja de São Pedro e São Paulo, na Kalverstraatpara agradecer a minha recuperação. E ainda antes, ter ido ao Bijenkorf, comprar dois casacos compridos da Benetton que estavam com um desconto muito bom e me assentam muito bem. E, já no final da tarde, no Café Cobra, na Museumplein (a Praça dos Museus), ter oferecido dois DVD's de um documentário, a um casal de portugueses a viver na capital. Porque era o que fazia sentido. Porque a energia tem de continuar a fluir.

Foi no dia 13 de Julho, que fui libertada da parafernália (costumo dizer que foi o dia em que recebi a minha carta de alforria). E no dia 14, exactamente quando se comemora a Revolução Francesa, gozei o meu primeiro dia de Liberdade de facto . Estava livre para recomeçar. Passo a passo. Hoje uma tarefa, amanhã outra. E, agora, praticamente, já consigo fazer tudo em casa e até já cuidei do quintal. Desta vez, não pintei a vedação (veio cá um senhor para isso), nem lavei as lajes do chão com a máquina de pressão, mas arranquei as ervas, que estavam muito altas devido às chuvas. Fiz mais devagar e em mais dias, mas consegui.

Gostei muito de falar com a minha médica no passado dia 8. Fez-me muito, muito bem. Falámos sobre a minha história também. Coisas que nunca contei aqui. Senti-me outra, uma pessoa mais forte, livre. Ela, quando me veio buscar à sala de espera, já me tinha achado bem: " You look good!". Gostei de lhe sorrir de volta. Acho que este ano resolvi muitas coisas na minha cabeça. Coloquei muitos pontos nos "is" em histórias tóxicas antigas e isso fez-me bem.

Há dois dias, também gostei dos "Buenos dias!" inesperados da N., a assistente da minha médica, que é uma brincalhona e muito positiva. Despedimo-nos com um "Até amanhã", em português, para um encontro, que depois não foi necessário.

Hoje, por aqui, "me quedo". ;-)

Por agora, deixo-vos com uma canção que gosto muito, da novela brasileira "Salsa e Merengue", e que me traz sempre à memória, os hilários diálogos entre a personagem Teodora (Débora Bloch) e a criada, que ela chamava de Sexta-feira (alcunha inspirada no livro "Robinson Crusoé"), interpretada pela saudosa actriz Maria Mazan.

Ah! E gosto do futuro, das coisas que já combinámos e planeámos...

Bom fim-de-semana!





Thursday, 17 August 2017

Red Hill Mining Town


Uma das minhas favoritas dos  U2 e do álbum Joshua Tree...
Gosto da música, da letra, da voz...




Deixo também o video do dia 29.




Vejam qual gostam mais.

Red Hill Mining Town

 "is a song by the rock band U2. It is the sixth track from their 1987 album, The Joshua Tree. A rough version of this song was worked on during the early Joshua Tree album writing sessions in 1985. The focus of the song is on the National Union of Mineworkers1984 strike in Great Britain that occurred in response to the National Coal Board's campaign to close uneconomic mines." (Wikipedia, 17.08.2017)

From father to son 
The blood runs thin 
See faces frozen still 
Against the wind 


The seam is split 
The coal face cracked 
The lines are long 
There's no going back 
Through hands of steel 
And heart of stone 
Our labor day 
Has come and gone


Yeah you leave me holding on 
In Red Hill town 
See lights go down, I'm 

Hanging on 
You're all that's left to hold on to 
I'm still waiting 
I'm hanging on 
You're all that's left to hold on to

The glass is cut 
The bottle run dry 
Our love runs cold 
In the caverns of the night 
We're wounded by fear 
Injured in doubt 
I can lose myself 
You I can't live without 


Yeah you keep me holding on 
In Red Hill town 
See the lights go down on 
I'm hanging on 
You're all that's left to hold on to 
I'm still waiting 
Hanging on 
You're all that's left to hold on to, on to


We'll scorch the earth 
Set fire to the sky 
We stoop so low, to reach so high 
A link is lost 
The chain undone 
We wait all day 
For night to come 
And it comes 
Like a hunter child 

I'm hanging on 
You're all that's left to hold on to 
I'm still waiting 
I'm hanging on 
You're all that's left to hold on to 

Love, slowly stripped away 
Love, has seen its better day 

Hanging on 
The lights go out on 
Red Hill  Town
The lights go down on 
Red Hill Town
Lights go down on 
Red Hill town 
The lights go down on 
Red Hill town

Wednesday, 16 August 2017

U2 no Arena em Amsterdam


U2
Concerto pelos 30 anos de Joshua Tree
Arena (estádio), Amsterdam
30.07. 2017




Foi a nossa primeira ida ao Arena e gostámos muito do estádio: moderno, confortável, limpo e organizado. A entrada foi muito rápida e fácil, uma vez que preferimos ir só ao concerto do grupo que nos levava até ali e não assistirmos ao do cantor que fez a primeira parte do espectáculo. Já no interior do estádio, subimos umas escadas rolantes para o nosso destino. Lá chegados, fomos até ao bar e bebemos um prosecco com toda a tranquilidade. Só depois, fui comprar um pacote de batatas fritas e uma garrafa de água. As nossa cadeiras ficavam junto ao corredor e a poucos segundos da porta e do bar.




O meu marido disse-me que foi uma vitória minha estarmos ali. Minha, dele e dos médicos e enfermeiros que me acompanharam, acrescentei.





Ainda me lembro quando perguntei à minha médica, estava eu de cadeira de rodas e cateter e mal podia dar dois passos, se ela achava que poderia ir ao concerto dos U2, no final de Julho. Conforme a médica me lembrou muito bem, não sabíamos ainda se eu iria precisar de fazer nova cirurgia daí a 3 meses, mas que era bom ter objectivos.





Agarrei-me a esta frase, a cirurgia não foi necessária (mas quase foi) e fui ao concerto. Esta conversa teve lugar num momento em que ainda não sabíamos que eu estava com outro problema que levaria ao adiar da possível cirurgia para Outubro.




Ao longo do concerto dos U2, após largos meses de vida "monástica" (contam-se pelos dedos das mãos, as vezes que saí desde Dezembro último para me divertir e passear), festejava tudo: poder estar sentada (muito doloroso antes da cirurgia e daí ter viajado pouco de carro), poder estar de pé, levantar, caminhar, estar sem dores, sem drenos ou cateteres, estar cá fora e não no hospital ou em casa, obrigada pelas circunstâncias. Anyway, apesar de ter tido necessidade de me sentar algumas vezes, GOSTEI MUITO do concerto e o Anton Corbijn está de parabéns pelos efeitos visuais criados.




E foi bom reviver e cantar temas tão bons e tão bem escritos, com os quais cresci e me fiz adulta. Letras que nos falam de temas sociais e trazem a História até nós, seja a do Movimento Solidariedade na Polónia no início dos anos 80, seja a situação política em El Salvador ou a situação dos mineiros no Reino Unido, na mesma época, ou a ode a Martin Luther King e a homenagem às Mães de filhos desaparecidos por motivos políticos.

Do final do concerto:
um bocadinho do tema Miss Sarajevo, desta vez com a imagem de uma jovem refugiada síria.




Mas não foi só o álbum Joshua Tree que passou por ali. Foi a história dos U2, nas suas canções antes e depois do álbum da sua consagração. Toda uma vida. Que também, de certa forma, era a nossa, de quem ali estava. E cantava.




As fotografias  e os videos foram feitos pelo meu marido com o telemóvel, a partir da bancada onde ficámos.





Tuesday, 15 August 2017

Drop earrings, not bombs


Foi neste fim-de-semana, numa visita ao Volkenkundemuseum em Leiden, que, na respectiva loja, tomei conhecimento, pela primeira vez, do projecto Drop earrings, not bombs. A iniciativa visa ajudar mulheres sírias refugiadas a viver na Turquia, a conseguir uma fonte de rendimento e alguma independência financeira. Os brincos são muito bonitos e feitos por elas. Dá vontade de trazer quase todos...Já conheciam este projecto?





Sunday, 23 July 2017

Sebastião Salgado no Nederlands Fotomuseum



A quem estiver por cá e possa interessar, aconselho.

No Nederlands Fotomuseum, em Roterdão.
Até 17 de Setembro.

Fomos até lá este Sábado, mas já tinha visto há 2 anos em Lisboa.
E voltei a gostar. Só que, desta vez, trouxe uma caixa de postais da exposição.





Do tempo em que ainda não havia máquinas fotográficas digitais...

Uma sequência da série Os Americanos.


Ao som de Slice of Life do grupo de rock gótico Bauhaus
O vocalista, Peter Murphy, foi várias vezes fotografado pelo fotógrafo holandês Anton Corbijn (que também dirigiu vários video clips dos Depeche Mode, por exemplo).



Votos de boa semana!


Saturday, 22 July 2017

Bom fim-de-semana!


Uma das minhas canções preferidas dos Depeche Mode.

Para vos desejar um bom fim-de-semana, com tudo de certo para vós.


Thursday, 20 July 2017

Post temporário


O post anterior foi clarificado e alongado. Não estava a falar de amigos, mas dos profissionais de saúde que me acompanharam ( e alguns deles ainda continuam) e isso não ficou claro. Hoje, já com o dia mais fresco, e não insuportavelmente húmido e abafado como ontem, escrevi um post mais longo e preciso como pretendia. Desculpem e Obrigada.

Wednesday, 19 July 2017

Private Post


Hoje o meu coração são nomes e rostos que significam Humanismo e Gratidão. Hoje o meu coração tem um nome imenso, onde ainda faltam nomes que não fixei, mas cujos rostos e vozes não esqueço: Pim, Marleen, Joyce, Jimmy, Eleanora, Femke, Sabine, Nicole, Yvette, Lara, Vlemmix, Berghuis, Muller, Leiden, Rutten, Heijink, Hendriks, Oesha, Jacqueline, Hank, Sheran, Reinou, Mi, Rob, Zahara,...Estes são os nomes dos meus principais cuidadores (três magníficos dos seis cirurgiões que estiveram no teatro de operações durante quase 6 horas, médicos-assistentes e enfermeiros, a ajudante que me dava o banho na cama, a senhora do Patient Lounge, as enfermeiras do Home Care). Com todos tive uma história, ou mais que uma, que ficará para a minha História. Para eles vai a minha Gratidão por todo o seu Humanismo. Porque faz hoje 3 meses, com tudo o que se passou depois. E volto a dizer, faltam aqui nomes, que não memorizei: malta que foi chamada para ajudar quando a situação, por vezes, ficava mal parada (como os anestesistas para  me tirar sangue, quando não se conseguia à nona tentativa, ou mais enfermeiros, como aquela que me disse "a senhora vai sair disto" quando estava num momento mais crítico e já pensava "que era desta que patinava"); a enfermeira que me fez a cistoscopia e me relaxou para esta intervenção, dizendo-me durante o procedimento que era preciso ter coragem quando se é o paciente; e aqueles que foram estando lá sempre, embora em Portugal sejam considerados quase invisíveis ou pouco importantes, como a senhora do catering (que me disse que se preocupava comigo e andava sempre numa ralação porque eu não comia nada ou muito pouco), ou a da limpeza do quarto ( que me perguntava sempre como estava e ficava um bocadinho a conversar comigo), bem como os maqueiros (sempre atentos, com um sorriso, bem-dispostos e com dois dedos de conversa, muito importante quando vamos ansiosos para algum exame ou intervenção; já sem falar na imensa sensação de fragilidade que é andar a passear de cama no hospital). Desde os cuidadosos médicos da Dor, aos médicos e técnicos de Diagnóstico e às equipas de Radiologia de Intervenção (e daqui também a primeira recepcionista) e de Medicina Nuclear, que me aturaram choros, quebras, dores, falta de mobilidade, a todos devo um Muito obrigada. Do que se passou ao longo destes 3 meses, haveria muito para contar...

Ao Dr Pim, agradeço, sobretudo, o facto de me ter vindo visitar todos dias durante o meu primeiro internamento em Abril ( entretanto, ele saiu a trabalho por largas semanas para o Caribe) e ficarmos a conversar como se o tempo não importasse (especialmente no segundo dia, assim que soube que eu estava mais embaixo). Um excelente médico e cirurgião e dono de uma simplicidade ímpar. Um senhor. À Eleanora, uma Ennio Morricone da enfermagem, tal a graciosidade com que executa os mais simples movimentos da profissão (não esqueço a delicadeza dos gestos com que refrescava o rosto das pacientes, o meu incluído, ou a dignidade com que transportava os jarros do xixi). Foi também com ela que fiz as primeiras tentativas para me sentar e dar os primeiros passos. À Yvette, a enfermeira que me trouxe um chá na madrugada em que deixei a epidural para a morfina (era ela que estava responsável por mim nessa noite), de forma a dar-me um pouco mais de conforto para o impacto das dores que depois senti. À Dra Marleen, que nunca me escondeu nada (tal como o Dr Pim) e que ficou frustradíssima pela situação que correu mal durante a cirurgia (eu não fiquei propriamente espantada, pois sabia que era um dos riscos que corria numa intervenção como esta) e me garantiu e coordenou toda a assistência posterior. Uma timoneira, que comandou o barco muito bem, quando, ainda por cima, surgiram complicações posteriores e conflitantes entre si. Às médicas que me socorreram nos episódios de urgência (Vlemmix e Muller) e com quem eu já tinha estado anteriormente - só tive de telefonar para o hospital e assim que lá chegava, subir para o departamento, onde era atendida com muita privacidade e num ambiente sereno, para ficar depois. Às enfermeiras que depois das altas me telefonavam a perguntar se estava tudo bem - prática standard e que muito apreciei. Às Dras Berghuis e Leiden, que preparam muito bem toda a minha transição do hospital para casa com os serviços de Enfermagem Domiciliária (thuiszorg), os serviços de trombose e a Mathot, a empresa que envia o material de enfermagem para nossas casas, juntamente com a enfermeira Sabine, que, no último dia, sentada na minha cama, me disse: " A senhora é muito forte". À Oesha e à Jacqueline, as enfermeiras especializadas que cuidaram muito bem de mim, já em casa. E à Mathot, que nunca falhou no envio do material, que eu tinha de mudar impreterivelmente a cada cinco dias. Por último, queria salientar que em nenhum momento tive o trabalho ou a preocupação de marcar consultas, exames, intervenções, etc, a partir do momento em que dei entrada no hospital. Tudo foi decidido entre as diversas equipas que me seguem ( são 3 departamentos distintos, mas que têm trabalhado em conjunto) e marcado por eles, que, entretanto, me foram comunicando as datas, através dos planos de acompanhamento, cada vez que voltei para casa ( o mesmo sucedeu há dias, e já tenho tudo marcado até Outubro). Da mesma forma, que estão em comunicação permanente com a minha médica de família, enviando-lhe relatórios detalhados, e dos quais recebo exemplares em papel, apesar de publicados na minha página no site do hospital, na qual também são colocados os resultados de todos os exames e as datas das consultas. Assim como também achei muito bom o facto de as enfermeiras registarem tudo electronicamente durante as rondas: medicamentos tomados (morfina, paracetamol, antibióticos, injecções de heparina, comprimidos para o enjoo. etc), medições várias (tensão arterial, nível de oxigénio no sangue, temperatura). Uma questão de segurança para elas e para nós, aqueles computadores rolantes, onde cada colega de turno registava tudo o que se tinha passado com a paciente.


Durante todo este tempo, acho que nunca senti que estava num hospital (e olhem que foram vários internamentos). O sossego da enfermaria (e eu tanto fiquei em quartos de uma como de quatro camas), a organização, o espírito de equipa, a Arte por todo lado (esculturas, pinturas), o lounge dos Pacientes, a zona comercial e de restauração, as condições do quartos, a gaivota que me vinha visitar à janela, tudo contribuiu para que me sentisse num espaço amigável, onde estava a ser muito bem cuidada. Acima de tudo acho que nunca esquecerei a amabilidade das pessoas, das recepcionistas aos médicos, muito importante quando experienciamos situações de grande fragilidade (não conseguir mexer, sentar, levantar, andar, tomar banho, como foi o meu caso, por exemplo). O Dr Pim chegou a perguntar-me se iria escrever sobre o que se estava a passar. Tinha-lhe dito que não, que era demasiado pessoal ( e de certa forma, continuo a manter a parte que me toca mais resguardada). Mas depois rectifiquei e disse " Só se for para ajudar outros expats com informação útil e tranquilizante", que, espero ter passado, pelo menos alguma, nem que seja uma mensagem de confiança. Por outro lado, também queria escrever um post sobre eles, os meus cuidadores (por uma questão de justiça). Espero ter conseguido. Ontem não foi possível, com a humidade e o calor abafado. E sinto que este post ainda não acabou, porque gostava de contar mais sobre cada um deles. Talvez um dia ainda volte aqui.

E porque falámos do Sting, eu, o meu marido e a Femke, num fim-de-semana muito crítico para mim, no passado mês de Maio...Eu, desta canção; a Femke, de outra que gosto muito, Fields of Gold.









Post actualizado a 20.07.2017 às 08:22.